O projeto já não é tão recente, e seria interessante verificar sua gênese. Uma primeira sugestão é de que tenha sido vislumbrado durante a época de Ahmed Zaki Yamani, o ministro do petróleo do Choque de 1973. Yamani nasceu precisamente na região do Mar Vermelho, onde o liberalismo de suas elites contrasta visivelmente com o puritanismo islâmico dos wahabitas do outro lado do país, no Golfo Pérsico.
Combine-se a visão de mundo de Yamani - sem dúvida, o maior estrategista político e econômico da história da Arábia Saudita - com a doutrina do "smart power", de Joseph Nye Jr., em que o modelo é a cidade de Cingapura, cidade igualmente islâmica, em que se combinam o que há de mais moderno em termos de tecnologia com o que há de mais tradicional em termos de sharia.
O projeto da "Smart City" do rei Abdullah, retomado com todo vigor pelo Príncipe Herdeiro, também se encontra a poucos quilômetros de Meca. Não há contrassenso nessa combinação, uma vez que o Alcorão recomenda o culto às ciências e a conciliação destas com a vida religiosa.
Se saído do papel, os grandes problemas de longo prazo desse grande empreendimento serão seus entornos imediatos: um conflito sem solução na Palestina, uma guerra feroz no Iêmen e uma turbulência sem fim no Chifre da África. O principal adversário geopolítico dos sauditas, mesmo que tornados "moderados", continuará a ser o Irã. Mas a Turquia também irá despontar como um sério inimigo, haja vista seus pesados investimentos na Somália. Um dos termômetros dessa corrida geopolítica continuará a ser o Djibouti, onde há bases militares de pelo menos quinze grandes e médias potências militares mundiais, e por cujas águas passam mais de três milhões de barris de petróleo por dia.
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